Apresentação

O Enfermeiro Gestor

A Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança foi formalmente criada no dia 08 de maio de 2009. A Enfermagem Portuguesa em geral e os Enfermeiros gestores em particular conseguiram finalmente reunir-se numa organização que entende os nossos problemas e que vai lutar por conseguir resolvê-los.

Os Enfermeiros da área de gestão constituem uma estrutura fundamental para a garantia da qualidade dos cuidados de saúde prestados á população. Este é um aspecto óbvio que só quem não conhece o sistema ou não tem como prioridade a efectividade da prestação de cuidados de saúde, pode questionar., Estes actores assumem um papel particularmente importante na garantia do funcionamento, gestão de Recursos Humanos, logística, gestão de cuidados e condições ambientais indispensáveis para o regular funcionamento de qualquer unidade ou estabelecimento de prestação de cuidados de saúde.

No seu exercício profissional os Enfermeiros da área de gestão têm como objectivo fundamental a prevenção, tratamento e reabilitação da pessoa doente, através da gestão de cuidados de Enfermagem, da gestão dos serviços/departamentos ou organizações, da gestão de competências dos recursos disponíveis e da gestão de dinâmicas ao nível do sistema de saúde.

Para o ICN (International Council of Nurses) a enfermagem deste século terá enfermeiros que a nível organizacional e nacional serão portadores de conhecimentos, competências, estratégias e poderes para gerir e liderar serviços de enfermagem e de saúde através da mudança, no sentido de contribuir para um futuro mais saudável de toda a população, enquanto que para o Governo Português é cada vez mais evidente o desinvestimento na excelência da Enfermagem portuguesa, como é demonstrativa a inqualificável proposta de carreira que apresenta, em que é evidente a desvalorização dos cuidados de Enfermagem e a descategorização dos Enfermeiros, em particular dos Enfermeiros Gestores.

O Enfermeiro gestor na sua prática clínica seja em contexto hospitalar, nos cuidados de saúde primários ou nos cuidados continuados e integrados, tem de compreender a reforma do sistema de saúde e o seu impacto nos cuidados prestados, sendo visionário pensando estrategicamente de forma a planear adequadamente as respostas que lhe são solicitadas, enquanto promove o trabalho em equipa de forma eficaz, gerindo a mudança, dando valor à produção de cuidados de enfermagem e preparando-se adequadamente para as novas necessidades e competências. Este grupo profissional tem vindo a assumir desde o início do SNS um conjunto de responsabilidades fundamentais para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados, de entre os inúmeros exemplos, podemos citar a nível macro: a taxa de cobertura vacinal obtida para o país e a diminuição da mortalidade infantil; ao nível organizacional: a liderança em projectos de melhoria da qualidade, o papel central nas Comissões de Controlo de Infecção e de Saúde Ocupacional, a seriedade dos projectos anuais de formação, a implementação de processos de avaliação de desempenho e de sistemas de informação.

No nosso contexto actual, é um desperdício económico o anular dos investimentos públicos e privados efectuados nas carreiras profissionais dos enfermeiros da área de gestão que transitaram nas diferentes categorias mediante a obtenção de cursos específicos financiados pelo Estado Português, onde entre outras, a competência de gestão era prevista. Salientamos aqui que, de todos os grupos com primeiro ciclo de formação na área da saúde, a enfermagem é aquele que detém um maior número de profissionais qualificados na área da gestão, obtendo sinergias óbvias entre a área clínica e a componente gestionária, competência que nos parece fundamental numa fase em que a “clinical governance” se assume como uma prioridade dos sistemas de saúde a nível mundial.

O ataque politico e de caris economicista no curto prazo que está a ser desferido contra os Enfermeiros da área de gestão, descategorizando-os e desprezando completamente os anos e investimentos formativos na qualificação e na aquisição de competências, com a liquidação de aspectos fundamentais das suas carreiras profissionais, como é notório pela total desvalorização pela função de gestão neste grupo, pode condicionar o futuro do nosso Sistema de Saúde, salientamos a actual evolução demográfica e as projecções para a evolução das diferentes doenças crónicas e a necessidade de reflexão objectiva através de análises custo-benefício sobre quem deve liderar que processos.

Todos os Enfermeiros, em particular os Enfermeiros Gestores, os cidadãos a quem cuidamos e as organizações prestadoras de cuidados de saúde têm consciência da enorme injustiça proposta pelo Ministério da Saúde e, na defesa da qualidade dos cuidados de saúde prestados exigem ao Governo uma conduta respeitosa para com os Enfermeiros Portugueses, particularmente com os Enfermeiros da área de gestão, no sentido de serem respeitados os preceitos legais em vigor e a valorização das competências exercidas efectivamente por estes profissionais.

A qualidade e segurança dos cuidados prestados aos cidadãos estão directamente relacionados com a qualidade da prática dos enfermeiros da área da gestão – Enfermeiros gestores competentes determinam cuidados de qualidade.

 

 

Nelson Guerra

Presidente da Direção